Meu Pequeno Príncipe - UOL Blog
Meu Pequeno Príncipe


Nana, Nenê

Quando o Jorge nasceu dormia cerca de 20 horas por dia como a maioria dos recém-nascidos. Ele acordava, mamava e freqüentemente adormecia com facilidade em meu colo. Eu imaginava que o meu bebê era um anjo... não dava trabalho nenhum!

 

Mas os dias vão passando e seu bebê começa a descobrir o mundo. Já quer passar mais tempo acordado. Daí, o sono começa a se tornar um problema. No meu caso, tive um pouco mais de sorte, porque o Jorge não costumava “trocar o dia pela noite”.

 

Ele costumava dormir enquanto mamava. Algumas pessoas começaram a me criticar por eu permitir que ele adormecesse dessa maneira, dizendo-me que eu deveria colocá-lo no berço. Como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Tentei. Mas ele chorava tanto, e tanto... aquilo me deixava tão nervosa! Mandei todos às favas! Ele iria continuar a dormir mamando! (na verdade, eu só queria que ele dormisse o mais rápido possível, não importava como!)

 

Só que o tempo foi passando e ele já não queria mais dormir mamando. Agora tinha que estar em movimento (e eu o balançava sentada na cadeira de balanço ou o empurrava no carrinho pela casa). Depois tinha que balança-lo de pé. Agora eu tinha de dançar com ele no colo (e cantar ao mesmo tempo!). Depois, chegou num ponto que eu tinha de fazer tudo isso e ele com o meu peito na boca (nessa ele já pesava 6.300g)... Ah, detalhe: a hora de colocá-lo no berço era hiper tensa... porque ao menor movimento... pronto, ele acordava e eu tinha de começar tudo de novo! Aí eu percebi que eu tinha um problema (e dos grandes!). Minha paciência, minha coluna e meus braços tinham ido pro espaço!

 

Minha amiga Adriana havia me apresentado o livro Nana, Nenê (Eduard Estivill & Sylvia de Bejar). Da primeira vez que o li (enquanto o Jorge ainda estava na fase de dormir APENAS mamando) não gostei muito. A idéia de deixá-lo chorar no berço (mesmo que por breves minutos) me parecia cruel demais.

 

Porém, a essa altura do campeonato (ele tão exigente!) comecei a reconsiderar... Li o livro novamente e decidi que não custava tentar... Faltava uma semana para ele completar 3 meses.

 

Desde que ele nasceu, eu já tinha implementado uma rotina para a hora de dormir (banho-mamar-dormir), o que me ajudou bastante. Comprei um ursinho bem macio (aqueles de tecido atoalhado) para ser seu companheiro e... voilá... No primeiro dia: banho-mamar-brincadeirinha-berço... chorou por 40 minutos e dormiu. Meu coração ficou apertadinho, mas resolvi continuar com o plano (se você se interessou, sugiro que leia o livro pra entender o esquema direitinho).

 

No segundo dia chorou por 10 minutos, e foi reduzindo o tempo de choro sucessivamente com o passar dos dias! Atualmente ele ainda reclama um pouquinho quando o coloco no berço, mas não preciso mais ficar que nem uma louca pela casa...

 

Alguns criticam o método. O que achei mais “engraçado”, porém, é que antes, quando eu acreditava estar fazendo o bem pelo Jorge (fazendo-o dormir no colo etc) ele demorava cerca de 1 hora para pegar no sono. Hoje, no berço, leva no máximo 15 minutos. Ele tem dormido muito melhor (acorda apenas uma vez para mamar à noite) e seu humor melhorou.

 

Eu estou mais descansada e posso dar mais atenção a ele quando está acordado. Acho que estou no caminho certo, porque dormir deitado na cama é o natural.



Escrito por Bárbara às 21h22
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O drama da chupeta

A grande maioria dos profissionais de saúde desaconselham o uso da chupeta. As principais alegações são a de que pode provocar a chamada “confusão de bicos” e a de que pode interferir negativamente na dentição. A confusão de bicos ocorre quando o bebê que mama a chupeta “confunde-se” ao mamar ao seio, levando-o a recusá-lo.

 

Nos EUA, porém, a chupeta é recomendada pelos pediatras desde o primeiro dia de vida. Isso porque estudos demonstram que ela pode reduzir a incidência de “morte súbita no berço”, principal causa de morte de bebês até 1 ano de idade naquele país.

 

A “morte súbita no berço” é de etiologia desconhecida. Acredita-se que vários fatores ambientais estejam relacionados, juntamente com algum tipo de predisposição familiar. No Brasil, a incidência de casos torna-se irrelevante, pois aqui se morre mais de desnutrição, desidratação, prematuridade etc.

 

Apesar disso, não hesitei em proibir que o Jorge a usasse. Porém, o tempo foi passando e percebi que, muitas vezes, ele estava usando o seio como chupeta. Queria mamar apenas para se acalmar e pegar no sono. 

 

Acordava várias vezes à noite, sugava por uns 3 a 5 minutos e dormia novamente. Nesse ponto, ele com 6 semanas de vida e eu, cansada... não titubeei em dar-lhe a pacifier. Ledo engano... ele a cuspia longe...

 

Mudei de marca, de cor, usei a de bico achatadinho, de bico redondinho, coloquei funchicórea e... nada! A única que parou mais de 30 segundos na boca dele foi uma da Chicco, toda em látex. Essa é a que eu utilizo para acalmá-lo antes de dormir. Mas ele mais a mastiga do que chupa. Pra falar a verdade, ele prefere a chupeta natural: os dedinhos... às vezes coloca as duas mãozinhas na boca ao mesmo tempo!

 

Pesquisei sobre o assunto e os especialistas (odontólogos) dizem que, se as chupetas forem usadas com critérios, são relativamente inócuas. Tais critérios são, basicamente: introduzi-la após 4 semanas de vida; preferir a de silicone e dita ortodôntica; não amarrar panos (fraldas) na chupeta porque seu peso causa uma certa tração, aí sim, podendo interferir na dentição; usá-la preferencialmente para dormir e retirá-la da boca do bebê assim que ele adormecer; não molha-la em substâncias doces e retirá-la até os 2 anos de idade.



Escrito por Bárbara às 20h34
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O parto

Meu parto foi realizado por outro professor, o Dr. Alberto Zaconeta. A essa altura você deve estar se perguntando porque essa minha predileção por professores... talvez você até pense ser devido às cortesias e descontos, hehe. Mas eu tenho outra explicação: quando somos alunos, elegemos nossos professores; aqueles que julgamos ser mais interessados, mais estudiosos, mais dedicados, enfim, aqueles os quais consideramos supra-sumos em determinado assunto. Aqueles aos quais nos espelhamos e deixaríamos nossas "vidas" em suas mãos. Enfim...

Bem, como já disse, o parto foi cesáreo, realizado numa sexta-feira pela manhã. Nesse dia levantei-me, tomei um banho, organizei as coisas em casa e fui dirigindo até o hospital, com minha mãe e minha sogra (ambas temendo que o Jorge nascesse dentro do carro!). Meu marido tinha ido até o plano de saúde buscar a autorização para a internação - buRRocracia desnecessária). Internei-me e fiquei na expectativa.

Eis que surge no meu quarto minha colega de faculdade, a Gisele Pasquali (guardem esse nome, em breve vai nascer uma grande gineco-obstetra, viu?) para me levar para o centro cirúrgico. Nesse minuto senti um frio na espinha: "será que a Gisa vai me operar?" (risos). Ufa! respirei aliviada quando vi o Dr. Zaconeta dentro da sala de cirurgia. A Gisa seria nossa "cameragirl". O Rui, meu marido, acompanhou o parto e, embora tentasse disfarçar, estava muuuito nervoso.

Fiquei meio tensa na hora da raquianestesia, mas correu tudo bem. Incomodava-me um pouco o fato de meu nariz estar ficando dormente. Tive medo de a anestesia estar subindo mais que o necessário, atingir o bulbo cerebral e eu ter uma parada respiratória (dããã... nessas horas a ignorância é uma bênção!). Tais pensamentos foram suprimidos quando ouvi o chorinho do Jorge. Rápido assim! Em menos de 5 minutos (pode ser que minha noção de tempo estivesse um pouco alterada, mas que foi rápido, foi!)

Senti-me aliviada quando me disseram que ele estava bem e era saudável. Trouxeram-no para que o visse e ele ficou me olhando com uma carinha linda como se perguntasse “quem é você”?

Os anestesistas costumam aplicar-nos morfina para garantir uma analgesia mais duradoura. Provoca uma sensação muito estranha... a gente se sente meio “bocó”, como se estivesse flutuando... não vou negar que é uma sensação gostosa, não fosse pelo efeito colateral que tive: um prurido (coceira) no corpo todo que durou algumas horas.

A desvantagem da cesárea é termos de ficar na sala de recuperação anestésica até que consigamos movimentar as pernas (no meu caso demorou umas 3 horas). Só não é pior porque podemos ficar junto com o bebê.

O melhor mesmo é voltar para o quarto, encontrar a família, festejar e agradecer a Deus o privilégio de gerar um filho...

Bem, o Dr. Zaconeta foi ótimo em tudo. Disse-nos coisas lindas sobre a criação do Jorge e a responsabilidade que teríamos com aquela nova vida. 

O pós-operatório não foi tão ruim assim. Só fiquei acamada no primeiro dia. No outro já conseguia me levantar e tomar banho sozinha. Com 9 dias fui dirigindo retirar os pontos. Fui flagrada no estacionamento pelo Dr. Zaconeta, que me perguntou: “quem te autorizou a dirigir?”. Sorry... mas eu estava me sentindo tão bem... e foi assim nos demais dias...

 



Escrito por Bárbara às 13h48
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Amamentar não é fácil...

Na faculdade tive aulas sobre amamentação: técnicas, benefícios, importância e dificuldades. Àquela época eu, ainda grávida, imaginava como poderiam haver dificuldades na amamentação uma vez que me parecia ser algo instintivo.

Confesso que não cuidei muito bem dos meus mamilos durante a gravidez. A única coisa que fiz foi usar um creme chamado Massê a partir do 6o. mês, o que não é o mais recomendado (não para ser usado exclusivamente). Quando se passa da condição de "médico" para a de paciente é muito comum seguirmos a cultura leiga ao invés de fazermos o que é certo. O correto é tomar sol pela manhã nos mamilos, fazer uma esfoliação leve (com uma toalha seca, por exemplo) e usar conchas de base rígida para favorecer a formação dos bicos. 

O Jorge nasceu de parto cesáreo porque, assumo, não tive coragem de enfrentar um parto natural. Tenho meus motivos, mas não vou expô-los porque cada um tem uma opinião e não tenho a intenção de polemizar. Enfim, nesses casos, demora um pouco para que o corpo perceba que não está mais "grávido" e que é hora de começar a produzir leite. Com isso, o meu leite demorou um pouco para "descer" (a apojadura aconteceu pra valer cerca de 4 dias após o parto). O Jorge não abocanhava o seio corretamente o que fez com que os mamilos ficassem machucados. O pior é que não somos instruídas corretamente sobre a amamentação. Os pediatras na maternidade (particular, diga-se de passagem!) sequer pediram para ver o Jorge mamando, condição fundamental para a alta hospitalar (ou seja, só deveríamos ter alta após a consolidação da amamentação). Chegando em casa, a coisa só piorava. O leite começou a ser produzido pra valer, mas, como a "pega" estava inadequada, o Jorge não conseguia sugar direito e os meus seios ficavam ingurgitados e doloridíssimos. Resultado: ele chorava de fome e eu de frustração e dor. Nesse caso, duas coisas poderiam acontecer: 1. a ingurgitação evoluir para uma mastite; 2. eu desistir de amamentar e comprar logo umas latas de Nan 1.

O Jorge então, começou a perder peso. Ele perdeu 500g em 6 dias de vida, o que corresponde a quase 13% do seu peso de nascimento. Sabe-se que é normal os bebês perderem até 10% do peso de nascimento nos primeiros 10 a 15 dias de vida. Aí bateu o desespero total e juntamente o sentimento de culpa (não ser capaz de alimentar o meu filho). 

Como resolvi a situação? Corri atrás da minha professora da faculdade, uma expert em amamentação e chefe do Banco de Leite Humano do HRT - Hospital Regional de Taguatinga-DF, Dra. Miriam Santos. Chegando lá, ela examinou o Jorge e fez a coisa mais básica (que todos os médicos deveriam saber/fazer): pediu para vê-lo mamando. Aí respirei aliviada quando ela verificou que ele não estava abocanhando o seio corretamente, ou seja, ele estava mamando somente no bico (o bebê deve abocanhar a maior parte da aréola); deu-me as instruções de como corrigir a "pega" e orientou-me a ordenhar os seios para evitar que ficassem ingurgitados. Santa Dra. Miriam! Nos dias que se seguiram, o Jorge recuperou facilmente o peso perdido.

Nessa hora, "caiu a ficha" e percebi que amamentar é um ato aprendido, não instintivo. O que mais me surpreendeu é que se eu, que sabia tudo sobre amamentação (na teoria, óbvio!) tive tamanha dificuldade, imagine quem não tem esse conhecimento?

O início do convívio mãe-bebê é um misto de felicidade (ou não, se a mãe tiver "blues" puerperal, mas isso é assunto pra um outro tópico...), medo, incerteza, cansaço... e o início da amamentação pode ser traumatizante. Mas, aconselho você a não desistir! Procure ajuda, busque informações na internet. Existem dois sites legais que me ajudaram bastante: www.amigasdopeito.com.br e www.aleitamento.org.br. Procure os bancos de leite humano de sua cidade (e doe seu leite se você produzi-lo em bastante quantidade!). Vale a pena.

Hoje o Jorge está com quase 3 meses e mama exclusivamente ao seio. Pretendo continuar com a amamentação exclusiva até os 6 meses de idade. Depois da tormenta, é muito bom sentir que eu posso saciar meu bebê.



Escrito por Bárbara às 12h23
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Trancar ou não?

Um dos momentos mais complicados na minha vida de mãe foi decidir se trancaria ou não a faculdade por 6 meses. As estudantes têm o direito a apenas 90 dias de licença-maternidade (a licença-maternidade para as trabalhadoras é de 120 dias). Com isso, teria de voltar às aulas por agora, com o Jorge com apenas 3 meses de vida...

Por um lado, ficava com vontade de voltar para não ter de sair da minha turma, de perder amizades conquistadas e mesmo pra terminar logo o curso (faltam apenas 3 semestres), uma vez que já sou quase uma balzaquiana (logo, tenho de me formar depressa pra começar a ganhar, certo?). Por outro, me lembrava de tudo o que aprendi durante o curso, com relação a bebês que não são amamentados, da importância da amamentação na formação do vínculo entre mãe-bebê...

Resolvi que deveria trancar mesmo. Afinal, a faculdade vai estar sempre lá, ou seja, posso voltar a qualquer momento. Já os primeiros meses de vida do Jorge não voltarão atrás.

Não vou dizer que foi fácil. Por muitas vezes tinha vontade de esganar as mulheres que queimaram os soutiens no início do movimento feminista... Como estava sendo difícil pra mim conciliar as tarefas de mãe-estudante-mulher-dona-de-casa... Percebi que não conseguiria, pelo menos não nesse momento, desempenhar bem todos esses papéis ao mesmo tempo. Então decidi que, por 6 meses, vou ser apenas mãe-mulher.



Escrito por Bárbara às 12h22
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Um Pouco Sobre Mim

Tenho 29 anos, nasci em Goiânia-GO, mas moro atualmente em Águas Claras-DF. Sou casada há 3 anos e meio. Formei-me em Biomedicina em 2000 e atualmente estou no 5o. ano da faculdade de Medicina. Esse semestre tranquei a minha matrícula para amamentar e ficar exclusivamente com o Jorge. Voltarei às aulas em janeiro de 2007, quando ele estará com 7 meses.      

Escrito por Bárbara às 12h21
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Meu Blog

Bem, sou novata no mundo blogger. Apanhando até das linguagens html... por isso, paciência até que a página fique do jeitinho que eu quero. A idéia do blog surgiu após o nascimento do Jorge, meu primeiro filho, em 9 de junho de 2006. Hoje ele está com quase 3 meses e somente agora consegui começar a concretizar a idéia. Sabe como é, os primeiros meses de nossa vida como mãe parecem um furacão, causando turbilhões em nosso estado físico e mental. Como muitas de minhas dúvidas foram sanadas com a ajuda de blogs de outras mães, achei que também poderia contribuir um pouco publicando meus erros e acertos...

Escrito por Bárbara às 12h20
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Histórico
  10/09/2006 a 16/09/2006
  03/09/2006 a 09/09/2006


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